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Em 14 de março de 1914, nasceu Abdias do Nascimento

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A luta pelo resgate de uma cidadania afrodescendente independente de “clichês brasileiros”, tem, no dia de hoje, uma marca histórica, pois em igual data, na cidade de Franca, estado de São Paulo, no ano da graça de 1914, nasceu Abdias do Nascimento. Filho de Georgina Ferreira do Nascimento (conhecida como Dona Josina), doceira e ama de leite, e de José Ferreira do Nascimento, sapateiro e violonista, [6]  Abdias do Nascimento era neto de mulheres escravizadas. A avó materna, Francelina, foi internada no famigerado asilo de Juquery e sofreu sérias consequências dos maus tratos lá recebidos. [7]  A avó paterna, Ismênia, nascida na África, foi estuprada por um português. Por isso o pai de Abdias carregou, durante seus 95 anos de vida, a dor de ser um filho 'natural', isto é, de não ter sido reconhecido pelo pai. Abdias foi poeta, ator, dramaturgo, artista plástico, professor universitário ,  político  e  ativista  dos direitos civis e humanos das populações...

As almas do povo negro, de W.E.B. Du Bois

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  Olá, povo pan-africano! Hoje trazemos a terceira sugestão dentre as leituras incontornáveis para a formação de uma cidadania pan-africana, alias, com relação ao tema central do nosso esforço, o autor que trazemos hoje é o pioneiro, por que não dizer, o criador do conceito de pan-africanismo na forma sob a qual identificamos os ingredientes únicos necessários à tarefa de dar contorno à trajetória do indivíduo afrodiaspórico rumo a uma independência efetiva e a conquista do respeito à sua história e sua identidade. Vale ressaltar que o  Dr. William Edward Burghardt Du Bois ( Great Barrington ,  23 de fevereiro  de 1868 —  Acra ,  27 de agosto  de  1963 ) é mais conhecido como "W. E. B. Du Bois”, uma espécie de acrônimo com o qual se tornou uma referência pivotal à toda uma militância global pan-africanista. W.E.B. Du Bois foi sociólogo, historiador, ativista pelos direitos civis e o pioneiro do Pan-Africanismo.  Nascido ...

Lélia Gonzalez e o “Lugar de negro”

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Olá, povo pan-africano! Hoje trazemos a segunda sugestão dentre as leituras incontornáveis para a edificação da oficina de cidadania pan-africana, necessária, reitero, para a construção de uma identidade dentro de uma conjuntura social adversa e, por que não dizer, hostil ao povo de cor. Aproveitamos a mesma oportunidade para trazer a primeira contribuinte mulher dentro da nossa proposta de indicação das acima referidas leituras. Hoje viemos para mencionar Lélia Gonzalez na medida (melhor seria dizer na desmedida), a imensurável importância da sua militância na perspectiva de  'alerta' do tipo ‘ nêgo abre do teu olho’ e se posicione em relação a construção falaciosa de uma “sociedade brasileira racialmente democrática e inclusiva ...” Lélia de Almeida Gonzalez foi uma intelectual negra, política, professora, historiadora e antropóloga brasileira, nascida em Belo Horizonte, em 1º de fevereiro de 1935. Autora de livros e diversos artigos, Lélia foi uma das fundadoras d...

Leituras e Construção de uma cidadania afrodescendente

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  Pedindo o Favor de Exu, para dar início a uma série de abordagens, que julgo procedentes na direção da formação da cidadania afrodescendente. Lembro que durante a minha infância, um tempo de pobreza material normalizada pelo racismo, sonhei em um dia me tornar um advogado. Era com eu via a imagem de alguém que se tornou repositório do respeito de todos os membros da sociedade de entono. Ao revelar esse projeto para as pessoas mais próximas era brindado com o descrédito ou melhor, com a desconfiança de que não estivesse “falando sério”. No primeiro momento, provavelmente, pela inexperiência característica da tenra idade, não percebia explicitamente essa reação nas pessoas e seguia sonhando. Ao terminar meus estudos secundários, já testado pelo racismo explicito e ao demonstrar que prosseguia sonhando com meu projeto de ser alguém a quem a sociedade prestasse respeito para além da minha pele preta, era paulatinamente escrutinado sobre o que faria em seguida, visto que par...