Lélia Gonzalez e o “Lugar de negro”
Olá,
povo pan-africano!
Hoje
trazemos a segunda sugestão dentre as leituras incontornáveis para a edificação
da oficina de cidadania pan-africana, necessária, reitero, para a construção de
uma identidade dentro de uma conjuntura social adversa e, por que não dizer,
hostil ao povo de cor.
Aproveitamos
a mesma oportunidade para trazer a primeira contribuinte mulher dentro da nossa
proposta de indicação das acima referidas leituras.
Hoje
viemos para mencionar Lélia Gonzalez na medida (melhor seria dizer na
desmedida), a imensurável importância da sua militância na
perspectiva de 'alerta' do tipo ‘ nêgo abre do teu olho’ e se posicione em relação a construção falaciosa
de uma “sociedade brasileira racialmente democrática e inclusiva ...”
Lélia
de Almeida Gonzalez foi uma intelectual negra, política, professora,
historiadora e antropóloga brasileira, nascida em Belo Horizonte, em 1º de
fevereiro de 1935. Autora de livros e diversos artigos, Lélia foi uma das
fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU). Mineira, era filha de um
ferroviário negro e de uma empregada doméstica indígena, sendo a penúltima
entre 18 irmãos. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1942, onde se graduou em
História e Filosofia, passando a lecionar na rede pública de ensino. Mestre em
comunicação social e doutora em antropologia política, realizou pesquisas acerca
das relações de gênero e etnia. Professora universitária, foi docente de
Cultura Brasileira na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde
chefiou o departamento de Sociologia e Política.
No
livro que indicamos aqui como pontapé inicial para a interação com o trabalho
da Dra. Lélia, colaborou o sociólogo Carlos Alfredo Hasenbalg.
Lélia
Gonzalez descreve os ganhos e ações do movimento negro sob uma perspectiva bem
intimista, na medida em que a própria é atriz neste processo, sendo importante ativista
do movimento negro brasileiro e tendo participado ativamente de toda construção
que narra. O início da obra em questão é retratado pela autora numa atmosfera
em que o golpe militar de 1964 se instaura, trazendo para a população de um
modo geral insegurança, pelas perdas dos direitos políticos.
Tomando
em seu discurso a iminência de uma tragédia comunista e consequente caos,
corrupção, os militares tomam o poder, apontando para o estabelecimento de
mudanças na economia. Todavia, para o sucesso do plano seria necessário impor a
chamada “pacificação” dos ânimos, o que os autores entendem como repressão.
Esse movimento “pacificador” toma maior representatividade com os Atos
institucionais, mormente através do AI-5. O AI-5 acaba por apresentar as condições
para a concretização do famoso e conhecido “milagre econômico brasileiro”.
Caracterizado por analistas econômicos e políticos brasileiros, este milagre se
deu pelo que foi conhecido como a tríplice aliança, ou seja, a junção entre o
estado militar, as multinacionais e o grande empresariado nacional. Como
consequência observou-se o aumento da dívida externa, à medida que foram
contraídos empréstimos para manter as ferramentas do milagre.
Aproveito
a menção do AI-5 para ressaltar que Lélia destaca que os louros desse milagre
não foram repassados para as massas, de maioria negra, que ficaram totalmente
excluídas deste fenômeno. A entrada de capital estrangeiro no país faz com a
indústria fosse ampliada, o que a primeira vista pareceu ser um grande avanço
para a população de um modo geral. Mas na verdade essa manobra vai tirando a
autonomia das empresas pequenas e nacionais.
Acesse
pelo link abaixo o livro e boa leitura!
Referencias:
1.
SANT´ANNA, Camila V. do N. e HENRIQUE, M. de S.;
RESENHA DO LIVRO “LUGAR DE NEGRO” DE LÉLIA GONZALEZ E CARLOS HASENBALG
(14/12/21);
É MEU IRMÃO, POUCA GENTE ENXERGA ISTO!!!
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